Geração de empregos com carteira assinada tem pior resultado em quase dez anos

O agravamento dos efeitos da crise econômica mundial em Bauru levou os setores produtivos do município a registrarem o pior desempenho quanto à geração de empregos com carteira assinada nos últimos dez anos. Segundo dados do Ministério do Trabalho, foram fechados 1.367 postos de trabalho no município em dezembro do ano passado, o pior resultado desde maio de 1999, quando foi implantada a metodologia do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O recorde anterior havia sido registrado em dezembro de 1999, quando Bauru perdeu 946 vagas.

Historicamente, o mês de dezembro é sempre de queda no número de empregos, segundo apontam representantes de alguns segmentos econômicos consultados pelo JC e conforme corroboram as estatísticas do Caged. Desde o início da pesquisa, nunca houve aumento de postos de trabalho no último mês do ano em Bauru.

No entanto, o resultado negativo sem precedentes registrado no mês passado está intimamente atrelado à turbulência financeira que atingiu todo o globo, conforme avaliação do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino. Ele aponta que uma crise interna se instalou no País, o que provocou a conseqüente redução do número de empregos em Bauru.

“O resultado não poderia ter sido diferente frente à falta de tomada de decisões por parte do governo federal e à ganância dos agentes financeiros, que não baixaram os juros para facilitar o acesso ao crédito”, pontua.

O setor mais afetado foi o da construção civil, uma das mais fortes atividades econômicas da cidade e que, até então, vinha se sustentando sem grandes perdas. Somente neste segmento, foram perdidas 537 vagas de emprego. “Há poucos meses atrás, havia dificuldades em encontrar mão-de-obra qualificada para trabalhar na construção civil. Agora já há uma certa facilidade”, comenta Ricardo Aragão Rocha Faria, diretor adjunto do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) em Bauru.

Embora o resultado também esteja relacionado à sazonalidade do segmento, que costuma registrar números piores no mês de dezembro por conta das férias, as empreiteiras e construtoras já estão mais cautelosas e fechando menos contratos. “Não há paralisação nem diminuição do ritmo das obras ou cancelamento de contratos já feitos. Mas existe uma certa precaução para saber como o mercado irá se comportar nos próximos meses”, frisa.

Recessão

Uma recessão no mercado interno. É esta a situação que pode se instalar nos diversos setores da economia, caso medidas não sejam tomadas pelo governo federal, conforme avaliação do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino. “As principais delas são reduzir a taxa Selic (que está atualmente em 13,75% ao ano) para estimular a produção e forçar os bancos a reduzirem as taxas de juros ao consumidor. Sem acesso ao crédito, a situação da empregabilidade no Brasil poderá piorar ainda mais”, observa. Como estratégia, ele acredita ainda ser necessário proteger o parque industrial brasileiro quanto à entrada de produtos do mercado asiático, que está com sua demanda internacional reduzida.

Fonte: jcnet.com.br

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