Restrição a crédito faz preço de veículo usado cair até 10%

Embora venha provocando inúmeras dificuldades para a economia brasileira, a crise financeira mundial está se tornando uma boa oportunidade para o consumidor que planeja comprar um veículo seminovo ou usado à vista ou financiar apenas uma pequena parcela do valor total. Com as vendas prejudicadas pelas restrições no acesso ao crédito para financiamentos, os carros usados “encalharam” nos estacionamentos e, para recuperar clientes, as lojas já estão reduzindo os preços em até 10%.
Se, há dois meses, era possível comprar um veículo em até 72 meses, hoje, além de reduzir os prazos, as financeiras aumentaram a taxa de juros. Somado a isso, os consumidores ficaram temerosos em contrair dívidas a longo prazo e o resultado não poderia ser outro: as lojas registraram recuo nas vendas.

Antes da crise, um estacionamento localizado na avenida Rodrigues Alves, em Bauru, chegava a vender 35 veículos por mês. Nas últimas semanas, esse número não passa de 20. “A situação mudou tanto que estamos negociando a partir da proposta dos clientes. Tem carro que já vendi praticamente a preço de custo para não perder o negócio”, revela o gerente Vanderlei Antonio de Oliveira.

No estabelecimento, um Fiesta ano 2003/2004 que era vendido a R$ 24 mil, agora está sendo comercializado por R$ 22 mil. “Estamos trabalhando para superar essa situação. O comerciante que não baixar os preços está enrolado”, confessa ele, que está com 68 veículos em estoque.

De acordo com Alessandro Martinelli, proprietário de um estacionamento na avenida Nuno de Assis, os preços dos automóveis seminovos começaram a baixar há cerca de três semanas. E agora, registra uma redução de preço média de 10% para modelos populares e 5% para os de maior valor. No estabelecimento, uma Ecosport ano 2008, vendida a R$ 49 mil há dois meses, agora sai por R$ 46,5 mil.

“Esse é o momento do consumidor. Quando a crise passar, os juros vão baixar, as vendas vão aumentar novamente e o preço do carro vai voltar ao normal”, salienta Martinelli.

No entanto, os preços mais em conta só valem mesmo a pena para quem tiver condições de quitar à vista todo o valor do automóvel ou boa parte dele. Quem depende de financiamento para levar seu carro para casa continua enfrentando as mesmas dificuldades. Além dos juros, que subiram de 1,2% a 2%, em média, os bancos ainda exigem em torno de 20% de entrada, como uma forma de garantia para o empréstimo.

“Em alguns casos, a financeira aceita parcelar até 95% do valor, mas o cliente resiste muito em dar entrada. Por isso, dependendo da situação, a gente acaba abatendo esses 5% no preço final, para não perder a venda”, conta Suzy Meire Celestino, proprietária de outra loja de automóveis usados.

Atenta a essa “hora do consumidor”, a funcionária pública Cristiane Pereira Leite, 34anos, comprou um Gol ano 1997 por R$ 12,6 mil, parcelado em 36 vezes. Embora especialistas indiquem que este não é o melhor momento para assumir financiamentos, ela acredita ter feito um bom negócio. “Eu não tinha dinheiro para dar os 5% de entrada que o banco exigia, então o estacionamento me deu R$ 650,00 de desconto”, comemora.

Em outro estabelecimento do ramo, instalado na avenida Nações Unidas, os preços dos veículos seminovos ainda não sofreram redução. Para atrair o consumidor, o vendedor Paulo César Rodrigues afirma que o investimento está voltado a propagandas e algumas promoções. “Preferimos oferecer um produto de qualidade e boa procedência para os clientes do que reduzir os preços. E estamos sempre negociando taxas de juros menores com os bancos”, justifica. Segundo o vendedor, os veículos na loja são financiados a juros de 1,9%, em média.

Financiamento pela Nossa Caixa

Como parte do esforço do governo federal para evitar a escassez de crédito no sistema financeiro do País, o banco estadual Nossa Caixa passará a financiar a compra de automóveis para a população. O anúncio foi feito na semana passada pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que determinou à Secretaria de Estado da Fazenda a abertura de empréstimos aos consumidores e o início do diálogo com montadoras e suas respectivas financeiras.

Conforme discurso do governador durante a abertura do Salão Internacional do Automóvel, no Anhembi, na Capital, a Nossa Caixa está em boa situação de liquidez e que o programa será importante para facilitar o acesso ao crédito em um momento de instabilidade econômica. Os esforços, segundo Serra, estão voltados para que “o Brasil não seja tragado por essa correnteza de expectativas negativas”.

Fonte: 96fmbauru.com.br

seja o primeiro a comentar!