O deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) admitiu ontem que errou ao generalizar na crítica inflamada que fez aos policiais civis grevistas, durante discurso anteontem na tribuna da Assembléia Legislativa Estadual (AL). O parlamentar mantém sua discordância com a postura de policiais no movimento grevista, mas reconhece que exagerou ao comentar sobre o assunto.
Sobre as questões políticas locais, em entrevista ao JC, o deputado diz que é positivo o prefeito eleito de Bauru, Rodrigo Agostinho (PMDB), percorrer os gabinetes dos parlamentares tanto em Brasília (federais) quanto em São Paulo (estaduais) em busca de recursos, mas alfineta que aguarda “para ver se a União irá liberar verbas para a cidade”. Segundo ele, o governo estadual nos últimos anos investiu no município, mas o mesmo não ocorreu com o governo federal.
“Espero que o PT também ajude a cidade”, diz Tobias sem se esquecer de criticar também parlamentares que estiveram ao lado do peemedebista na campanha eleitoral. “Parece que um monte de deputados descobriu Bauru só agora. Muita gente não trouxe uma agulha para a cidade”, afirma Tobias. Leia os principais pontos da entrevista:
JC – Como o senhor avalia a derrota do Caio, que no começo da campanha estava à frente dos adversários na disputa pela prefeitura?
Tobias – Quando alguém perde a eleição é porque todo o grupo mostrou falhas. Cada um teve sua culpa, do candidato até o mais simples militante. Não temos só um responsável e não é justo culpar apenas uma pessoa.
JC – Como pretende trabalhar para reorganizar o partido?
Tobias – O único partido estruturado é o nosso. Não tem problema se ganhou ou perdeu a eleição. A vida partidária é uma coisa e a vida eleitoral é outra. Por incrível que pareça, no Brasil quando um partido ganha eleição acaba tendo problemas.
JC – Um dia depois de eleito prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho viajou em busca de recursos para a cidade. Na sua opinião, é possível obter verbas?
Tobias – É bom ir mesmo. Lua-de-mel é bom. Mas parece que um monte de deputados descobriu Bauru só agora. Bauru já existe faz tempo. Muita gente não trouxe uma agulha para a cidade. Espero e vou torcer para que os recursos venham. Fui com o Rodrigo nesta semana conversar com um deputado, que disse que dinheiro para emenda não sai. Nunca deixamos a cidade. Ajudamos na época do Nilson Costa, do atual prefeito e vamos continuar a ajudar. Mas até 31 de dezembro o prefeito de Bauru é o Tuga Angerami.
JC – O senhor pretende incluir emenda específica para Bauru no orçamento do ano que vem?
Tobias – Podemos fazer muito pouco em relação a isso. Cada deputado estadual tem direito a R$ 2 milhões em emendas. Não é igual a Brasília, onde os deputados federais podem apresentar emendas de até R$ 10 milhões. Agora, vai ter início a construção da avenida Nações Unidas Norte, onde serão investidos mais de R$ 25 milhões. Faço emendas para destinar dinheiro para as cidades da região e procuro priorizar a área da saúde, mais especificamente para as santas casas. Nos últimos oito anos Bauru recebeu muita ajuda do governo estadual. Espero que o PT também ajude a cidade.
JC – Na quinta-feira o senhor fez críticas à greve da Polícia Civil na Assembléia Legislativa. Qual o motivo de um discurso tão crítico?
Tobias – Reconheço que errei ao generalizar. Temos muitos bons profissionais na Polícia Civil. O que me preocupou foi a manifestação que alguns policiais fizeram em Bauru, quando o governador esteve na cidade. Proibiram o governador de fazer caminhada em prol do candidato dele. Além disso, estavam armados. Eles têm o direito de fazer greve, mas deve haver limites. Um grupo armado não pode amedrontar a população. A Constituição Federal proíbe uso de arma nessas ocasiões.
JC – Por suas declarações, o comando da greve pretende tomar medidas judiciais contra o senhor. Isso o preocupa?
Tobias – Eles têm todo o direito, como também tenho o direito de me pronunciar na Assembléia Legislativa. Não posso concordar que o cidadão seja amedrontado com o uso de arma.
JC – Como integrante da base de apoio do governo, o senhor acredita que outra proposta pode ser feita aos policiais em greve?
Tobias – Seja um empresário ou um morador da favela, o percentual de imposto pago ao Estado é o mesmo. O dinheiro não é do governador, é da sociedade. Ele não pode fazer o que quer. Alguns ganham muito bem, mas a população está na miséria. A educação, a saúde e a assistência social não funcionam. Para acabar com a greve, só depende da Polícia. O governo não tem condições de dar um reajuste maior. Outro questionamento que precisamos fazer é se a população está satisfeita com a segurança. Não podemos pensar apenas em salários.
Fonte: jcnet.com.br
Tobias admite erro com policiais civis
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