Prefeito prevê cenário tenebroso

O prefeito Tuga Angerami avaliou ontem que o sucessor, Rodrigo Agostinho (PMDB), vai enfrentar sérias dificuldades e riscos em sua gestão em razão das conseqüências da crise financeira mundial sobre a economia brasileira e efeitos específicos sobre a gestão municipal, como a fuga de empresas interessadas em licitações.

A avaliação do prefeito cessante foi realizada ontem, durante sessão extraordinária de julgamento das contas de 2005 da prefeitura pela Câmara, cujo discurso de Angerami foi ouvido por Rodrigo Agostinho. “As empresas estão fugindo da licitação por medo em razão da crise. Já estamos enfrentando isso e o quadro é tenebroso para o hoje vereador e prefeito eleito, que terá muitas dificuldades”, advertiu.

Segundo Tuga, o problema já é detectado na gestão municipal nesta etapa. “Temo pelo que o Rodrigo e o Legislativo vão enfrentar já em 2009. Os próximos tempos devem ser tenebrosos e logo no primeiro trimestre de 2009 as dificuldades estarão presentes em função do menor crescimento econômico já apontado hoje para os próximos meses e o menor desde a década de 80. Isso vai afetar a prefeitura e o País e já está ocorrendo isso”, discursou.

Conforme o chefe do Executivo, empresas que normalmente participam de licitações já estão evitando disputar compras neste final de ano. “Tivemos licitação para 40 medicamentos na área da Saúde e conseguimos cotar para apenas oito itens. O motivo é que boa parte dos componentes desses medicamentos é importado, como os sais. E o fornecedor ou a empresa não está participando pelo cenário de incerteza internacional no ano que vem. E não há mais tempo hábil para realizar outra licitação e a lei exige uma série de prazos e esses medicamentos podem não ser comprados no início de 2009 porque a incerteza é sobre esse período”, ampliou.

Na avaliação de Tuga, a previsão de que a crise financeira seria apenas uma tormenta passageira não se concretizou e, infelizmente, todos os setores vão sentir os efeitos. “Muitas empresas não estão participando de licitações não só porque têm dúvidas sobre a capacidade de honrar o que foi licitado no ano que vem, mas também porque não sabem se a prefeitura terá condições de pagar. Porque recessão significa menor produção e menor receita”, concluiu.

Fonte: jcnet.com.br

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