A região de Bauru representa atualmente cerca de 10% da produção estadual de laranja. Até 2012, quando grande parte do pomares estará adulto, o percentual será de até 25%, segundo estimativas da Citrisul. Trata-se de uma associação em formatação, que concentrará produtores de ao menos 37 municípios da região.
Os percentuais - considerados representativos inclusive pelo engenheiro agrônomo da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo Luís César Demarchi - contrariam as perspectivas da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos (Abecitrus), cujo presidente é Ademerval Garcia. Há um ano, ele anunciou que o cultivo da fruta na região de Bauru responderia por até 60% da produção de todo território paulista. Ele considera, no entanto, como região de Bauru áreas plantadas em Lins, Ourinhos, Avaré, Botucatu e Itapetininga.
Mesmo num contexto mais restrito, a região de Bauru contemplada pela Citrisul já conta com 11,7% dos pés de laranja do País. A participação da região na produção mundial de laranja chega a 4,7%, ainda segundo a associação. Seus produtores somam juntos aproximadamente 25 milhões de pés da fruta, numa área de 60 mil hectares. A maior parte deles chegou à região por volta de 2004, assustados por conta do greening, que acometia especialmente a região tradicional de produção de laranja, ou seja, a de São Carlos, Descalvado, informa Demarchi.
O greening é uma doença que ataca os laranjais e é de difícil controle. Provavelmente originária da China, é provocada por uma bactéria com crescimento limitado nos vasos que distribuem a seiva. Como a região era livre do problema, tornou-se atrativa, informa o Grupo Citrus Killer, há 20 anos na região. De acordo com informações prestadas pelo grupo, outras vantagens locais também saltavam aos olhos dos produtores.
Vantagem
O preço da terra é um exemplo. Na época, ele era bem inferior ao hectare na região que tradicionalmente produzia mais laranja, onde a cana-de-açúcar chegava com força até por conta de outras doenças como o amarelinho (causada por bactéria, que atinge todas as variedades de citros comerciais) e a pinta preta (provocada por fungo, que afeta todas as variedades de laranjas doces, limões verdadeiros, tangerinas e híbridos). Por aqui, elas não avançam no mesmo ritmo.
Além disso, o clima (distribuição de chuva) figurou como outro ponto favorável, assim como o ratio. Trata-se da relação entre o açúcar e a acidez que, na região entre Bauru e Itápolis não é a melhor, mas ainda assim é compensadora. Segundo o Grupo Citrus Killer, o ratio de Bauru é o quarto do Estado no quesito qualidade. Perde para a região de Araraquara, onde é melhor. Depois, vem a região entre Bauru e Araçatuba e, em terceiro lugar, Limeira/Mogi Guaçu.
Por conta do contexto, a maioria dos pés de laranja dessa região tem entre três e quatro anos, sendo que a maturação do pomar leva seis anos, explica o engenheiro agrônomo. A partir dessa idade, a produtividade dá equilíbrio de caixa, acrescenta o Grupo Citrus Killer. Além dele, a região conta com produtores como Citrovita, Citrosuco, Cutrale, Coimbra, Nova América, Branco Peres, Grupo Rodas, Nova América, Grupo Saphini e Paulo Machado. A reportagem tentou contato com Ademerval Garcia, mas foi informada que ele não está no País e que não há previsão de retorno. O e-mail enviado não foi respondido.
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Laranja de mesa
A fazenda Santa Maria, em Ubirajara, pertencente ao Grupo Citrus Killer, foi pioneira na região na produção de laranja. Mesmo quando era proibido plantar o citrus do lado esquerdo do rio Tietê, o grupo deu início ao pomar. Era 1987. Na ocasião, o foco era a fruta de mesa, aquela que o consumidor consome em casa (in natura). Foi o pontapé inicial. Depois, há dez anos, quando o plantio foi liberado, já existiam duas possibilidades de mercado aos produtores. Trabalhar com frutas in natura - tanto no mercado interno, quanto externo - ou produzi-las para a indústria de suco.
A primeira opção era mais rentável, segundo informações do grupo. Nesse período, os produtores da região tradicional já sofriam com o amarelinho e a pinta preta, sendo que o cancro cítrico também voltava à região. Além disso, a área já sofria com alterações climáticas. A chuva passou a atrasar e atrapalhar planos de produtores de lá. Restava a eles, portanto, a busca por novas áreas, como a de Bauru, que já contava com produção para indústria.Por aqui, as vantagens superavam as desvantagens.
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Benefícios da produção
A migração da laranja para a região de Bauru trouxe vários benefícios como a valorização das terras locais. Nos últimos quatros anos, o valor do alqueire nessa região dobrou. Passou de R$ 10 mil para R$ 20 mil, justamente em virtude do interesse pelo citrus, informa a Citrisul.
Segundo a nova associação, em fase final de formatação, a citricultura não só valorizou os imóveis rurais, como aumentou a arrecadação de municípios e gerou empregos. São necessários 96 homens para 100 alqueires de laranja, informa. A produção ainda estimula o mercado de fretes, uma vez que a distância da fazenda até as fábricas de suco varia de 200 a 300 quilômetros. Cada 100 alqueires geram 726 fretes com preço médio de R$ 600,00 cada, acrescenta a Citrisul.
Ainda de acordo com a entidade, a citricultura injeta na região R$ 4 mil por hectare devido a gastos com frete e mão-de-obra direta.
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Incentivos
Bauru tem grande potencial para produção de citrus, no entanto, a conjuntura econômica é desfavorável. A opinião é do presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, que cobra empenho político para que a citricultura avance ainda mais local e nacionalmente.
Ele ainda aponta a ausência de uma indústria como grande problema para os produtores da região. O custo do frete é o item que mais encarece a produção. “Esse é um problema”, reitera Antonio Egidio Crestana, presidente do Sindicato Rural da região de Campinas, que também é produtor.
Na opinião de ambos, as perspectivas de que a região de Bauru concentraria 60% da produção de laranja, de fato, não se concretizou. “Eu diria, modestamente, que isso não vai ocorrer. A citricultura como é hoje não tem futuro no Estado de São Paulo porque o greening está aí e ninguém descobriu um remédio. Temos de mudar o paradigma. Temos de aprender a conviver com ele”, conclui Crestana.
Fonte: jcnet.com.br
Região de Bauru já produz 10% da laranja do Estado
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